Entrevista com um lama brasileiro

Entrevista com um lama brasileiro


Entrevista sobre a vida do Lama Jigme Lhawang – Por Thareja Fernandes, Revista Bodisatva, 2007. (Versão adaptada para o ano de 2015)

O gaúcho Gabriel mudou radicalmente de vida há 3 anos, em 2003, quando ordenou-se monge no budismo tibetano, com o nome de Ngawang Tenphel, e foi morar num mosteiro aos arredores de Dharamsala onde reside S.S. Dalai Lama e outros grandes mestres, na cidade de Bir, na Índia. De volta ao Brasil pela primeira vez (ano de 2006), Ven.Ngawang Tenphel (hoje Lama Jigme Lhawang), de 25 anos, conta um pouco de sua trajetória e de como é a vida de um monge brasileiro na Índia.

Pergunta: Como você conheceu o budismo?

Resposta: Aos 14 anos, me deparei com questões que começaram a me perturbar um pouco. Qual seria o sentido da vida? . Perguntei a várias pessoas e todas diziam a mesma coisa: estudar como meio de conseguir um bom emprego no futuro, trabalhar como um meio de formar uma base para, então, casar e construir uma família… Mas esta resposta não me satisfazia. Algo no fundo me dizia que não poderia ser só isso, não fazia sentido para mim se o fosse assim. Observava as pessoas ao meu redor, meus pais, tios, avós e amigos, os quais já haviam completado estas etapas da vida e, decepcionado, constatei que eles também, ainda assim, estavam em busca de algo mais profundo ou de um verdadeiro e satisfatório sentido para preencher suas vidas.

Não conseguia me interessar mais pela escola que parecia estar destinada a encaminhar e ensinar uma perspectiva de vida que não trazia um sentido que me satisfazia em relação a vida e como vivê-la. Minha vida social de festas, barzinhos, namoradas e consumo de estimulantes e alucinógenos nas saídas com amigos começou cedo, por volta dos meus 11 anos. Nesta idade, fui colocado, como sorteio do governo, em uma escola pública destinada a população das regiões das favelas e periferia. Lá meus amigos e colegas provinham principalmente e em sua grande maioria das favelas da periferia da cidade. Aos poucos fui me familiarizando com o meio e, é claro, como em todo lugar, para ser aceito e reconhecido pelo grupo, tive de mostrar ser capaz de fazer o que eles faziam e também o que tinham medo de fazer. Ali, cigarro, alcool começaram a ser ingeridos como uma forma de ser aceito e reconhecido pelo grupo. Brincando, as oportunidades de experimentar outras drogas foram surgindo, e da mesma forma, naturalmente dropei e fui surfando a onda da qual meu grupo estava.

Aos poucos, fui vivendo, estudando (o suficiente para passar de ano), curtindo e em algumas vezes me pegava refletindo sobre algumas coisas da vida. Terminei largando os estudos no primeiro ano do segundo grau por algum tempo. Já não conseguia mais seguir uma proposta de estudo se o objetivo do qual esta estava direcionada a promover  não era de fato o que eu estava buscando. Em realidade, não sabia o que buscava, mas tinha certeza de que não era aquilo. Aos 14 anos, agora com tempo livre, fui a procura de outras alternativas que preencheriam o vazio que sentia na minha vida. Em um primeiro momento, a alternativa que me trouxe alegria foi estar junto aos amigos, sempre tinhamos algo para fazer, conversar, namorar, festas etc. Era o que chamavamos de “curtir” ao máximo a vida. Como em tudo, com o tempo fazer sempre as mesmas coisas exatamente da mesma maneira já tinha se tornado um pouco entediante. Emoções e um pouco de adrenalina a mais talvez preenchesse o vazio que novamente começava a surgir. As noites de festa passaram a ser ao invés de sexta e sábado, de terça a domingo. Passei a estar em casa somente para dormir quando chegava das festas as 6h da manhã. Dormia até o meio dia. A tarde novamente ia para a rua, com os amigos, namorar, fumar, jogar conversa fora. Passavamos as tardes nas praças ao redor assim.

Particularmente era uma pessoa que era amiga de todos, não apreciava inimizades, tinha facilidade de me envolver com vários tipos de grupos com estilos diferentes, a  “galera do reggae”, do “hip hop”, “do “surf”, do “skate”, a galera “mais intelectual” e os mais “espiritualizados”. Nestes grupos, também, é quase matemático reconhecer quanto que cada um deles dedica seu tempo a chamada “curtição” juvenil, ou seja, a mundialmente famosa tríade: Sexo, drogas e rock-‘n’-roll.

Engraçado perceber, mas dentre estes, fui me aproximando mais  daqueles que dedicavam “mais” seu tempo a curtição, drogas, festas etc pois naturalmente estava com tempo livre e buscando experiências que preenchessem o vazio que sentia.

Minha turma de amigos, em sua grande maioria eram em torno de 3 a 5 anos mais velhos do que eu. Já eram mais independentes, iam muito a festas, usavam substâncias proibidas e  algumas legalizadas que ajudavam a dar um pouco mais de alegria, excitação e coloração a vida. Neste ambiente, um sentimento de “tribo” entre o grupo é muito forte. Ajudavamos uns aos outros a curtir a vida da nossa maneira. Nos defendiamos também, das invasões e desrespeito de outras tribos (grupos, gangues). Cada bairro geralmente tinha a sua própria. As vezes ocorriam tais confrontos, e muitas vezes pessoas saiam muito machucadas. Algumas vezes, alguns amigos comprometidos, com medo, portavam armas brancas, e ouve também momentos do uso de arma de fogo, quando, um amigo muito próximo, tomou um tiro no peito, sem grandes motivos, ao sair de uma festa com sua namorada. Um pouco mais adiante, em um acerto de dívidas entre gangues, por engano eu e um amigo fomos abordados na rua de minha casa quando voltava do colégio ao meio dia. Brigamos nos defendendo. Nesta ocasião, fui esfaqueado na região da barriga e por pouco não perdi a vida.

Neste período, tive a oportunidade de viver isso, de experimentar tal forma de viver, de aproveitar ou curtir a vida. Quanto mais tomava meu tempo neste ambiente, naturalmente ia conhecendo e fazendo amizade com pessoas que também dedicavam todo seu tempo a este tipo de curtição e outros que “ganhavam” a vida vendendo e propagando este panorama de “felicidade”. Conheci e fiquei amigo de traficantes e dependentes de drogas. Neste ambiente, os instrumentos de felicidade e relaxamento eram o álcool, cigarro, maconha, cola, cocaína e crack. Em nosso grupo, discriminávamos um pouco aqueles que usavam drogas injetáveis, pois a morte rápida era certa.

Ali era natural, era normal o uso de tais substâncias. De fato, quem não usasse algum estimulante, era uma pessoa estranha, que certamente não pertencia aquele mundo.

O processo de desenvolvimento neste ambiente era muito similar para com todos que ali se envolviam – quanto mais tempo dedicado as drogas, menos tempo com a família, menos tempo dedicado aos estudos, ao trabalho e a espiritualidade. Matematicamente podemos reconhecer os frutos que estariam por vir rapidamente. Menos atenção aos estudos, nos torna menos reflexivos, confusos e desorganizados mentalmente. Menos dedicação ao trabalho, nos traz necessidades que não temos como suprir, a não ser pedindo, ou  tomando de outros. Menos atenção a família, nos traz infelicidade, nos tira uma base firme de suporte, de ajuda. Sem atenção a nossa dimensão espiritual, independente de religião ou filosofia de vida, caimos em um buraco escuro, com valores muito estreitos e auto-centrados.

No fim, aqueles que tinham seu tempo completamente dedicados a isso, quem seriam? Naturalmente eram aqueles que viviam, ou sobreviviam desta forma, completamente envolvidos neste ambiente. Rapidamente comecei a perceber que me encontrava num ambito escuro, sem valores, onde já não se podia mais confiar verdadeiramente nos que estavam ao meu redor. Onde se era respeitado e querido quando se tinha dinheiro para bancar a festa, a bebida no barzinho, drogas para compartilhar ou se fosse destemido, bom de briga e algumas vezes armado. Neste ambito, sem estudos, trabalho, ajuda familiar e dependente de um instrumento propiciador de felicidade e prazer momentâneos, de efeito passageiro, e de grande custo, o processo natural seria tornar-se um traficante ou um assaltante. Incrível, matemático, desde o início. Dediquei tanto meu tempo e energia nesta direção, que me vi em menos de um ano, chegando neste ponto, onde o próximo passo para sobreviver neste ambiente e desta forma, a única alternativa seria me tornar traficante ou assaltante. Não gostava da sensação de medo da polícia, assim, o tráfico não me atraiu. Como um valor interno e natural, o roubar outros, era algo que não fazia sentido para mim, pois quando era roubado, o que muitas vezes aconteceu, me sentia muito mal, muito infeliz. E, mesmo sem nunca ter ouvido nada a respeito, talvez estas tenham sido minhas primeiras experiências de compaixão, de me colocar no lugar dos outros e reconhecer seu sofrimento. Achei, então, que uma alternativa seria trabalhar. Fiz alguns “bicos” aqui e ali, pouco dinheiro, mas suficiente para bancar as festas, drogas  e namoradas. Ainda assim, continuava muito insatisfeito, sem ver um final feliz na minha história quando olhava para o futuro. Não havia muito sentido naquilo tudo. Pelo contrário, estava cada vez mais cansado, o corpo fraco, despreparado para enfrentar a realidade ao meu redor e confuso.

Parei. Observei. Refleti. Estava desamparado e me sentia estar num buraco escuro. Percebi, então, que isso não me levaria a lugar algum e entrei em depressão. Fui a psicólogos, tomei anti-depressivos.

Fiquei um mês em casa, numa espécie de “retiro” forçado, por vontade própria, com o apoio da família e num processo de desintoxicação. Num primeiro momento, assistia televisão, comia e dormia. Depois, comecei a ler os livros da biblioteca dos meus pais. Foi então que, um dia, encontrei um livro diferente, com uma mandala na capa, com o nome de “Gestos de Equilíbrio” de Tarthang Tulku a seguinte frase: “As pessoas vão para a guerra por uma causa, mas elas ainda não são capazes de remover as causas de seu próprio sofrimento”. Aí tive um click, uma confiança, uma certeza que era isso, que a solução para o vazio e ausência de sentido que tomava conta do meu ser seria seguir o caminho de reconhecer e remover as causas que me deixavam daquela forma. Ou seja, é claro, haviam causas para estar experienciando insatisfatoriedade e ausência de sentido na vida. O caminho era descobrir, reconhecer tais causas para então poder removê-las. Mas isso não foi racional, foi uma sensação interna, no coração.

Neste momento despertaram lembranças positivas de quando criança, quando meus pais estavam envolvidos em grupos espirtualistas, GFU, FEEU, Sociedade Teosófica, seguiam uma alimentação vegetariana, praticavam yoga etc. Brotaram imagens deste ambiente, das pessoas que o frequentavam. Tais pessoas pareciam felizes, amorosas, muito simples ainda que falando sobre coisas profundas com muito conhecimento. Lembrei também de uma viagem que fiz ao chile com cinco anos de idade junto com meus pais, onde ficamos em uma comunidade de San Germain. Lá, a mestra Madre Cecilia, fazia meditações com a comunidade todos os dias. Uma certa vez, queria estar junto com meus pais na hora em que eles estava meditando. Pedi para entrar, e disseram que eu podia mas não poderia falar.

Lembro até hoje, tinha cinco aninhos e fui sentar ao lado de meus pais na sala a meia luz, todos em silêncio. Uma energia incrível e um silêncio acolhedor, amoroso e pacífico. Fiquei em silêncio sentado junto aos meus pais durante toda a meditação e me senti muito bem, tranquilo. Uma sensação de acolhimento, de paz e bondade impregnava aquele momento. Foi minha primeira meditação aos cinco anos de idade, e, depois com 14 anos, esta meditação e contato com meditantes na minha infância estava abrindo as portas e me impulsinando em direção a espiritualidade. Tive a sensação de estar começando a perceber uma “luz no fim do túnel”, parecia ali estar uma forma, um método que me ajudaria. Sim, Tartang Tulku falava em seu livro inteiro sobre meditação. As imagens de pessoas envolvidas com meditação, pareciam trazer o efeito de sua prática através do próprio ser, do próprio exemplo dos mesmos.

Então, perguntei a minha mãe como meditar e ela me disse que seria bom buscar um professor. Duas ou três semanas depois, ela apareceu com uma revista Bodisatva em casa, com o endereço do Centro de Estudos Budistas (CEB), em Porto Alegre. Dias depois, fomos lá. Lembro bem daquele dia. Chovia muito. Quando chegamos na casa, só tinha uma plaquinha bem pequena: CEB (Centro de Estudos Budistas), mas estava tudo fechado na frente. Vimos um corredor que levava a algo meio misterioso no fundo da casa. Fomos olhar. Era um pequeno jardim, uma espécie de entrada para um templo Zen, com um sino tocando.  A energia mudou. Na sala, havia pessoas sentadas em círculo e nós entramos. A primeira pessoa que olhou para a gente foi o Lama Padma Samten, que na época ainda não era lama, era o físico, professor universitário e praticante budista Alfredo Aveline. Ele deu um sorriso e disse: “Bem-vindos!”. Aquele olhar, aquele sorriso e a forma como disse bem-vindos, me impressionaram. Eu nunca tinha visto aquela forma, energia e olhar dando as boas vindas a alguém que nem conhecia (risos). Sabe, você não conhecer a pessoa e ver no olho dela que ela está alegre em te ver. Acho que a alegria dele em me ver fez despertar o meu carma com ele, como se eu tivesse reencontrado uma pessoa que eu não via há muito tempo. Sentamos e fizemos a prática de meditação de Tara Vermelha com ele. A sensação que eu tive durante toda prática foi de como se tivesse encontrado minha casa, meu verdadeiro ambiente, depois de muito, muito tempo perdido (na vastidão do mar de samsara, diria hoje).

Pergunta: Quantos anos você tinha?

Resposta: Isso foi em novembro de 1995. Eu tinha 14 anos.

Pergunta: O que aconteceu em seguida?

Resposta: No início eu freqüentava o CEB só uma vez por semana. Em dezembro de 1996, Chagdud Tulku Rinpoche, seu mestre, o ordenou Lama. Depois, o contato ficou mais próximo e eu comecei a trabalhar para Alfredo como office boy a convite dele. Apartir daí sua atividade de professor do Dharma se expandiu muito, e sua sede começou a ficar pequena para o número de alunos e frequentadores do centro. Em grupo, insipirado nas idéias do Lama Samten, no fim de 1997, comprou-se o terreno para construir a sede própria do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB) em uma área rural, na cidade de viamão. Eu tinha 16 anos quando ele me convidou para morar no CEBB e ajudar a tomar conta do sítio.

Pergunta: Sua mãe não se incomodou?

Resposta: Não, na verdade ela apoiou muito. Imagino que tenha sido algo natural para ela, pois era fácil de perceber as mudanças positivas, externas e internas, que começavam a acontecer com o seu filho a partir e no decorrer do contato com o budismo.

Pergunta: E você passou a morar sozinho no sítio?

Resposta: Quando me mudei, já haviam dois moradores no local, um caseiro e uma aluna de Lama Samten. O Lama Samten ainda não tinha se mudado, mas estava de mudança preparada, e em seguida chegou e se estabeleceu com mais uma família de praticantes. Lentamente, no decorrer dos anos mais algumas pessoas foram chegando para morar. Aconteciam muitos retiros, muitos ensinamentos, mas mesmo assim, eu tinha a sensação de estar sozinho no caminho. Tinha a sensação de ver o Lama na frente e muita gente atrás, mais distante, com bem menos dedicação e tempo para com a proposta e prática espiritual do centro. Ao meu lado não via quase ninguém, jovens iam visitar o centro algumas vezes, mas era difícil frequentarem com alguma periodicidade. O público maior de alunos e frequentadores nesta época eram de pessoas bem mais velhas do que eu. Ainda assim, apesar de me ver quase só trilhando um caminho difícil, sentia que este estilo de vida era o que buscava, me dava sentido a vida.

Pergunta: Por isso decidiu ser monge?

Resposta: Lama Samten começou a viajar muito a convite pelo Brasil e eu me via jovem e fora de uma estrutura organizada de treinamento. O treinamento realmente acontecia nos retiros, quando da presença e ensinamentos do Lama Samten. Quando me mudei para 0 CEBB, cheguei ainda em um processo de reconstrução de valores, de sentido na vida, e ainda muito marcado mentalmente por velhos hábitos negativos dos anos anteriores de minha vida. Carregava comigo uma motivação verdadeira de mudança e tinha completa confiança no caminho. Entretanto, junto a isso, trazia os efeitos do “treinamento” feito anteriormente, que ajudavam a ser mais difícil a transformação interna e externa acontecer. Minha única constância era não desistir do caminho, e assim fui seguindo em meio a vários tropeços e alguns acertos, mas sempre tentando manter uma boa motivação, e reconhecendo que todos ao meu redor estavam no mesmo barco, com suas qualidades e dificuldades, buscando se tornarem pessoas melhores. Aos poucos, durante os retiros, e no dia-a-dia de convivência com a Sanga (comunidade espiritual) e atividades do centro, alguns hábitos, valores e perspectivas internas foram se transformando lentamente. Lembro de uma ocasião, quando estava um pouco triste e me sentindo muito sozinho com um pouco mais de um ano de residência no centro budista, onde uma amiga muito querida (hoje já com um retiro de 3 anos e 3 meses de meditação concluido sob a orientação de Chagdud Rinpoche), também praticante e residente no centro, em uma conversa, sugerir a mim olhar para traz, para quando encontrei o budismo e comecei a praticar, como era minha situação e minhas dificuldades externas e internas, e avaliar como estavam agora, depois de algum tempo ouvindo ensinamentos e fazendo retiros. Foi um conselho simples, mas muito importante naquele momento. Ainda que reconhecesse muitas dificuldades, pude ver que muita coisa havia realmente mudado e naturalmente valores positivos já faziam parte do meu ser.

Com o tempo, fora os tropeços, os poucos acertos foram surgindo em decorrência das boas sememtens plantadas pelo Dharma, pela Sanga e pelos professores que tinha contato, principalmente pelo carinho, atenção, instruções e exemplo de Lama Padma Samten, do qual pude estar muito perto vivendo ao seu lado e participando e observando sua rotina e atividades. Ainda que muito jovem, já tinha aprendido a conduzir as práticas diárias de meditação do centro, conduzia grupos de estudo, dava palestras periódicas sobre budismo em escolas e universidades, representava a tradição budista em encontros inter-religiosos e revezava com um amigo e praticante antigo a condução e introdução ao budismo e meditação para grupos em mini-retiros aos finais de semana. Lembro, que apesar de desempenhar tais atividades ainda tinha muitas dificuldades sendo trabalhadas. Entretanto, meu próprio envolvimento com tais atividades me trazia muita alegria, me incentivava a estudar e praticar mais, e por final, era uma grande alegria ver nos olhos das pessoas estar sendo positivo para elas ouvir, estudar e praticar o Dharma do Buda. Ter este contato e troca foi algo importante e e muito significativo em meu caminho.

Alguns anos depois,  sendo um dos moradores mais antigos da área rural do CEBB, fui incentivado a construir um espaço onde pudesse morar na área do centro. Ainda  que com um pouco de ajuda de amigos da Sanga e familiares, faltaram condições financeiras e eu fui trabalhar. Consegui um emprego como motorista particular de uma empresa das 7h às 16h com intervalo de 15 minutos para o almoço.

Com uma casa, teria custos e, futuramente talvez viesse a construir uma família ali. Pensando nisso, achei que se tivesse um meio de sobrevivência do qual me satisfaria desempenhar seria o melhor. Então, decidi estudar para prestar vestibular e cursar faculdade. À noite, depois do trabalho, das 18h às 23h, eu ia ao cursinho. (Já tinha feito o supletivo e concluído o segundo grau). Então, no final do ano, tive hepatite, perdi o emprego e não pude me preparar para o vestibular. Fiquei um mês em casa, doente. Tive a sensação de estar fazendo uma grande, grande força contra a maré. Não era nada daquilo que verdadeiramente eu queria, buscava de coração. Reconheci que o Dharma era o mais importante na minha vida e percebi estar novamente me distanciando do caminho que queria trilhar de forma mais dedicada e intensa. Não tinha grandes aspirações para construir uma família, ter um bom emprego etc. Foi aí que decidi ser monge, algo que já havia pedido a meu mestre de refúgio no Dharma, Kyabje Chagdud Rinpoche. Achei que a doença, perda do emprego e vestibular foi um sinal, um acontecimento positivo que propiciou um espaço de liberdade para transformar minha vida da forma que eu buscava do fundo do meu coração. Não tinha compromissos, esposa, filhos… Nada me impedia. Lembrei que o Rinpoche tinha me dito que iria me ajudar. Disse que eu o procurasse novamente depois que eu resolvesse todas as pendências de minha vida e tivesse completa certeza de que este era o caminho que gostaria de seguir. Entretanto, Rinpoche me apontou que se eu quisesse ser um monge budista, o melhor seria treinar como monge em um ambiente monástico, ‘aprender a ser monge’. Mencionou alguns mosteiros que poderia me enviar na Índia tais como a grandes universidades monásticas da Linhagem Nyingma de Namdroling como também Mingdroling.

Pergunta: Você pensou em um modo de realizar este desejo?

Resposta: A única pessoa mais próxima que poderia me ajudar, pois provinha de um ambiente onde o treinamento espiritual budista é desempenhado principalmente  dentro da via monástica era Chagdud Tulku Rinpoche, o qual junto com Lama Samten eram meus professores e dos quais seguia as instruções espirituais na época. Após tomada a decisão, me preparava para retornar ao Rinpoche para partilhar novamente meu desejo e pedir sua ajuda. Mas cinco dias depois o Rinpoche veio a falecer e sua morte me fez ver que eu mesmo deveria ter a coragem de seguir meu coração. Tomei a sua passagem como um sinal, um selar da certeza do caminho que aspirava seguir. Comuniquei ao Lama Samten a minha decisão.

Pergunta: Qual foi a reação do Lama Samten?

Resposta: Ele disse que via essa tendência em mim já há muito tempo. Foi acolhedor, trouxe algumas coisas importantes a serem refletidas e, deu seu apoio para o que precisasse.

Pergunta: E como você foi para um monastério tibetano?

Resposta: Como minha conexão era com o budismo tibetano, minhas aspirações estavam na direção de desempenhar um treinamento monástico dentro do budismo tibetano. Dos Lamas que conhecia, cheguei a conversar com Segyu Choephel Rinpoche, um professor espiritual brasileiro da Linhagem Gelugpa reconhecido como a reencarnação de um grande mestre tibetano de sua linhagem. Mas naturalmente, na época, minha proximidade era com a linha de Chagdud Rinpoche. Assim, conversei com Jigme Tronge Rinpoche, filho de Chagdud, e ele indicou o monastério Chokling Gompa, na cidade de Bir, na Índia, onde ele quando criança havia estudado e vivido como monge por algum tempo. A decisão estava tomada, e já havia um monasterio que poderia possivelmente me acolher.

Quando o corpo de Chagdud Rinpoche foi levado para a cremação no Nepal, eu fui junto com a comitiva. Do Nepal até minha chegada em Bir, na Índia, gostaria de lembrar a ajuda e atenção indispensáveis de Lama Sherab Drolma, aluna de Chagdud Rinpoche, que participava da peregrinação e me ajudou a entrar em contato com os abades e com problemas de passaporte que ocorreram.

Pergunta: Como você conseguiu o dinheiro para a viagem?

Resposta: Houve a idéia de viajar de navio desde o Brasil a Índia. Entretanto, amigos e pessoas que me conheciam das sanghas de vários estados do Brasil me ajudaram e pouco tempo antes da viagem já tinha se arrecadado o valor da passagem de avião.

Pergunta: Depois da cremação você foi para a Índia?

Resposta: Sim. Lembro bem do primeiro dia que subi  uma das montanhas, que são o início da cordilheira dos Himalaias na Índia, ao arredor do monastério em Bir logo no primeiro dia que cheguei. Foi meio mágico. No dia que cheguei a cidade, começou a nevar. Comecei a ver vários monges, vários monastérios, coisa que nunca havia visto. Quis subir a montanha para ver a neve e avistei um grupo de monges que fazia a mesma coisa. Eu os segui de longe. Eles me olhavam, falavam em tibetano e riam de mim. Eu não entendia nada, mas continuei. Quando chegamos, eles fizeram um boneco de neve, brincamos e eles dividiram a comida comigo. Mais tarde descobri que eles eram do monastério que eu ficaria. Foram meus primeiros amigos espirituais monges.

Pergunta: Sua entrada no monastério foi imediata? Como se deu?

Resposta: Não. Logo que cheguei na Índia, em um retiro com S.S. Dalai Lama, recebi os votos laicos (upasaka, em sânscrito) de S.S. Dalai Lama. Em seguida, assim que cheguei a localidade tibetana onde iria permanecer e viver como monge fui procurar o abade do monastério, Orgyen Tobgyal Rinpoche, filho do falecido grande mestre Terton Chokling Rinpoche. Para minha surpresa ele disse que eu só poderia ficar no monastério se fosse ordenado e que eu deveria esperar. Na cidade, fiquei sabendo que um grande mestre estava para chegar. Era S.S. Trulshik Rinpoche. Mestre atual de S.S. Dalai Lama para com os ensinamentos e transmissões da linhagem Nyingma e o líder supremo da Linhagem Nyingma do Budismo Tibetano.

Um dia antes de sua chegada, o abade me chamou e disse que eu tomaria ordenação com S.S. Trulshik Rinpoche e deu um sorriso, como se entendesse a preciosidade desta rara oportunidade. No Ano Novo tibetano, em fevereiro de 2004, fui ordenado monge. Não tinha a menor idéia do que fazer, que roupa vestir, nada. Falei com o abade, que mandou dois monges para me ajudar. Passei em torno de quase um ano neste monastério aprendendo a ler, escrever, falar em tibetano e um pouco de ritualística cerimonial budista. No sistema de treinamento para monges do budismo tibetano existem quatro tipos de institutos de treinamento – Lobdra (escola de leitura e escrita), Dagtsang (escola de ritualística), Shedra (universidade de filosofia) e Drubdra (para retiros longos). Neste monastério tinham 3 dos institutos, faltando a Shedra, universidade de filosofia. Não fazia sentido para mim saber ler, escrever e os rituais, se não entendia de fato o que estava lendo em tibetano e se não entenderia as instruções que seriam dadas propriamente em retiro na língua-Dharma em tibetano que é bem diferente de uma linguagem comum do dia-dia no monastério. Tal entendimento dos textos e liturgias e da linguagem do Dharma se aprende na Shedra. Assim, rapidamente decidi me mudar e estudar na Universidade Monástica Dzongsar Shedra, na mesma região da qual estava vivendo, regida por seu lama raiz Dzongsar Jamyang Khyntse Rinpoche e dirigida pelo seu abade Khenchen Kunga Wangchuk Rinpoche.

Pergunta: Então, primeiramente você foi para a escola das crianças? Com quantos anos estava?

Resposta: Sim, fiquei junto com os mongezinhos (risos). Eu estava com 22 anos. Os monastérios tibetanos são divididos em quatro institutos de ensino como disse anteriormente: Lobdra, para monges de 5 a 13 anos; Datsan, de 13 anos aos 15 ou 25; e Shedra, que tem como idade mínima de entrada os 15 anos. Há ainda o quarto nível, Drubdra que não é uma escola, mas um eremitério onde se é desempenhado o retiro de três anos, três meses e três dias, do qual não há prerequisitos de idade.

Pergunta: Como foram seus primeiros dias como monge?

Resposta: Assim que cheguei no tacha (ta – monge, cha – morada), o quarto de um monge, me dei conta do voto de renuncia que havia feito. O monge encarregado me colocou no único quarto vago do monastério, no último andar do templo. Como os tibetanos não constroem telhados, fazem uma cobertura com cimento, frequentemente infiltra, deixando o quarto muito úmido. Como aquele tacha estava desocupado há algum tempo, estava completamente mofado. Era o pior quarto do monastério. O colchão que foi oferecido também estava na mesma situação: sujo e mofado. Eu era muito alérgico a pó e mofo. Sabia que ia passar muito mal…

Pergunta: Não pediu para que o trocassem de quarto ou que te dessem um outro colchão? Não teve nem o impulso?

Resposta: Não. Tinha total consciência do meu voto de renúncia e do caminho que tinha escolhido seguir.

Pergunta: Essa foi a maior dificuldade?

Resposta: Tive também dificuldades com a comida. Estranhei tudo: a cozinha era suja e preta, porque o fogão era a lenha. As panelas também eram pretas, os cozinheiros também pareciam sujos… A comida era muito diferente. Não conseguia comer. No primeiro ano acho que emagreci uns 5 quilos. Tinha diarréia quase todo dia. Como não falava a língua, a comunicação também era um problema. Além disso, tinha as diferenças culturais.

Pergunta: Quanto tempo durou este período de adaptação?

Resposta: Algumas coisas foram mais rápido, para outras foi em torno de um ano, penso eu.

Pergunta: O que mudou?

Resposta: (risos) A minha mente. O fato de já conseguir me comunicar também ajudou bastante.

Pergunta: Neste primeiro ano você não pensou em desistir?

Resposta: Não. Eu não tinha dúvida sobre o caminho. Sabia onde ia chegar. Era claro e certo. Isso fez com que eu não vacilasse em nenhum momento. O abade se surpreendeu. Disse que é muito raro que um ocidental fique tanto tempo, seguindo o estilo de vida monástica tibetana que já é considerada difícil mesmo para eles.

Pergunta: Quais as diferenças culturais mais marcantes?

Resposta: Os monges e indianos em geral andam muito de mãos dadas, como se fossem namorados. No início eu estranhei bastante. Também demorei um pouco para me acostumar ao fato deles entrarem no meu quarto a qualquer hora, mesmo quando eu estava trabalhando, estudando ou ocupado com as minhas coisas, para conversar e olhar as minhas coisas, sem perguntar e nem mesmo conhece-los. Não se tem privacidade alguma num monastério. Isto já é culturamente parte da vida deles. Entretanto, dentro de um monastério faz parte dos votos dos monges, não ter pertences próprios além das roupas monásticas e alguns poucos instrumentos de estudo. Todo o resto pertence a ordem da sanga, a comunidade monástica. Os monges são renunciantes e não tem quase nada como posse própria, tudo que tem ou possam vir a adquirir ou ser oferecido é e deve ser usado em prol do Dharma e dos seres, e não é de posse  individual, mas da comunidade de monges.

Pergunta: Que outras dificuldades você encontrou no monastério?

Resposta: O abade tem assistentes, os disciplinadores, que como o nome já diz, são os responsáveis pela disciplina do monastério. Eles têm total domínio sobre os monges, que não podem nem mesmo argumentar diante deles, independente se você é oriental ou ocidental, jovem ou adulto. Outra dificuldade que tive foi com o método de aprendizagem usado pelos tibetanos. Por exemplo, na escola Lobdra todas as classes ficam numa mesma sala, repetindo alto os textos sagrados. Cada classe recita um texto diferente. É um grande treino para a concentração e a atenção.

Pergunta: O que você aprendeu com tudo isso?

Resposta: Meu corpo e mente teve de se tornar extremamente flexível para aceitar de forma natural os hábitos, as regras, os comandos, a forma de pensar e agir, enfim toda uma cultura completamente diferente da qual estava completamente imerso. Para minha pessoa e capacidades foi um grande treinamento. Tive que aprender a ter grande flexibilidade, aceitação e humildade. E para que estas fossem naturais, sem julgamentos, foi necessário muita contemplação buscando entender o que estava acontecendo ao meu redor.

As atividades de um monastério começam muito cedo. Meu primeiro colega de quarto acordava as 3h30 da manhã para memorizar os textos em voz alta. Dormia memorizando também, em torno das 23h a noite. O dia inteiro é assim, aulas, estudo por conta, debate, práticas meditativas, preces, somente com intervalos para refeição.

Naturalmente pude acompanhar minha mente se transformando, ficando mais maleável a intensidade diária, mais atenta, mais organizada e aprendendo a relaxar em meio a grande esforço mental.

Ser um foco de atenção devido a ser o único ocidental e não ter qualquer privacidade também ajudou muito a desenvolver grande aceitação, paciência e compaixão por meus irmãos de sanga.

Não ser nada, mas simplesmente mais um monge careca, com as mesmas roupas, exatamente igual com as mesmas funções e obrigações que todos os outros foi uma grande prática de humildade e reconhecimento de que estamos em uma mandala (um contexto espiritual) onde todos são iguais e formam um único corpo. Não existimos e somos o que somos por nós mesmos. No monastério, por exemplo, qualquer sucesso que eu tenha em meus estudos e prática espiritual esta completamente inter-relacionado com o cozinheiro (risos). Com meus colegas de aula e debate. Sem eles, não surgiram questões e reflexões importantes. Com meus professores, principalmente, e com aqueles que contribuem para a sustentação do monastério. Existe toda uma cadeia vasta por trás de nossas atividades e existência. Tal rede é extremamente preciosa. Ter tido esta percepção e cultivá-la vem sendo muito importante no meu caminho.

No dia-a-dia, estas qualidades que foram aos poucos surgindo, ajudaram muito quando do sentar para meditar. Não há mais dívidas provindas de uma conduta não-virtuosa, há condições favoráveis provindas de ações positivas, há um pouco mais de atenção, humildade e compaixão. Disto, o sentar em meditação tem se mostrado tranquilo e um instrumento valioso de contemplação do Dharma.

Pergunta: Quanto tempo você ficou nesta primeira escola?

Resposta: O normal seriam três anos, mas como eu queria muito avançar rápido e não perder tempo, estudei muito fora dos horários das aulas e em um mês e meio já conseguia ler, mas isso não era suficiente. Deveria ler rápido e ter memorizado as principais preces. Com três meses consegui as duas coisas. Pedi ao abade para mudar de escola e ele permitiu. Fui para a segunda escola, no mesmo monastério, onde aprendi um pouco do fazer oferendas, a tocar os instrumentos, a dançar a dança dos lamas e a desempenhar os serviços religiosos para a comunidade. Enquanto aprendia os rituais, aproveitava o tempo livre para estudar os textos e percebi que a língua falada é diferente da língua escrita. Fiquei nesta escola por sete meses. Meu objetivo era entrar para a universidade o mais rápido possível e para isso é preciso saber ler, escrever e falar.

Pergunta: Como foi a sua ida para a universidade?

Resposta: Fui visitar a Universidade Monástica Dzongsar Shedra, que fica ao lado do monastério em que eu estava. Cheguei lá bem na hora do debate entre os monges. Fiquei surpreso ao perceber que entendia um pouco do que os monges falavam e, ao mesmo tempo, muito animado por ver que eles estavam debatendo a filosofia budista. Pedi permissão a Dzongsar Khyentse Rinpoche, lama raiz do monastério, para ingressar lá e ele aceitou. Então, esperei o ano letivo terminar e falei com o abade, Khen Rinpoche, Ngawang Kunga Wanchuk. Fui aos disciplinadores comunicar minha mudança para a universidade recém inaugurada em uma estrutura nova. Estava nascendo algo novo ali, e eu também estava começando junto. Fiquei feliz também porque o nível educacional do Dzongsar Shedra é um dos mais elevado da Índia.

Pergunta: Correu tudo bem, então.

Resposta: Mais ou menos. No primeiro dia de aula me dei conta de que tinha aprendido um pouco do tibetano falado e a linguagem usada na universidade é a acadêmica, literária, mais avançada. O khenpo (doutor em filosofia budista) falou por duas horas, mas eu só consegui entender algumas palavras e mesmo assim não conseguia fazer a conexão entre elas (risos).

Pergunta: Não se desesperou?

Resposta: (risos) É, foi algo interessante participar de uma aula de 2h e não entender nada (risos). Por sorte, um monge tibetano que estava do meu lado, perguntou se eu havia entendido algo e confessou que também não tinha entendido quase nada e isso me aliviou. É como se fossemos todos crianças colocadas em uma faculdade de filosofia. Precisariamos aprender um vocabulário completamente diferente da língua falada no dia-a-dia.

Pergunta: Quanto tempo demorou para compreender o professor?

Resposta: Acho que em seis meses conseguia entender 30 ou 40% dos comentários do texto que estavamos estudando. Em um ano entendia cerca de 60 a 70%. Mesmo assim, via que o progresso era grande. A cada dia aprendia muita coisa. O segundo ano foi mais leve. Em algumas aulas chegava a entender 99% do que era passado. E, em outras, caia novamente para os 50 % dependendo de minha familiaridade com os termos usados naquela dia de classe.

Acho que uma analogia seria alguém que recém aprendeu a ler e a falar entrar em uma universidade de filosofia e psicologia.

Pergunta: Quem é o seu mestre espiritual?

Resposta: Quando encontrei o budismo minha conexão mais próxima foi com Chagdud Rinpoche e com o Lama Samten, dos quais fui aluno durante muitos anos. Quando fui para a Índia Chagdud Rinpoche já havia falecido e o contato com o Lama Samten tornou-se praticamente inexistente. Nos falamos poucas vezes por e-mail, brevemente. No entanto, eu passei sete anos ouvindo o Lama Samten falar sobre o refúgio nas Três Jóias – Buda, Dharma e Sanga e sobre a verdadeira natureza das coisas e dos seres em grande extensão e de várias formas. Tive a felicidade de fazer muitos retiros, dentre estes alguns longos de meditação em silêncio e contemplação de pontos profundos e importantes. Sete anos depois, sozinho em meu caminho, na Índia, vi este refúgio e esta visão brotando de uma forma realmente impactante na minha vida como monge.  O Dharma começou a se tornar meu mestre. Quando tinha dificuldades, sentava para praticar ou buscava a solução nos textos sagrados. Ainda assim, frequentemente ouvia profundos ensinamentos de S.S. Dalai lama, em seu mosteiro em Dharamsala, o que trazia uma brisa refrescante a muitas importantes dúvidas, um ensinamento vivo de alguém que representava esta tradição a nível de sua própria experiência.

Pergunta: Pode explicar melhor?

Resposta: No monastério, a atividade é realmente muito intensa, o que gera uma certa tensão, um certo estresse, principalmente a nível de mente devido a grande carga horária de estudos, práticas e debates filosóficos. Quando isso acontece, por vezes, um pouco de impaciência e cansaço muitas vezes surgiu. Me recordo de vez após vez refletir sobre o motivo de estar ali fazendo o que estava fazendo – a intenção de encontrar verdadeira liberação das prisões do Karma e de ajudar os seres a também encontrarem liberdade e felicidade verdadeira em suas vidas. Novamente a mente se colocava em um eixo positivo. Os monges não têm mais nada a fazer a não ser praticar em benefício dos seres, estudar e  meditar sobre o Dharma. Minha mente ficava envolvida com as atividades Dharma do monastério durante o dia inteiro, e por várias vezes a noite, também em sonhos, devido a grande intensidade das atividades durante o dia.

Estudando todos os dias a natureza vazia porém magicamente aparente das coisas, o verdadeiro modo de existência e limitações das minhas dificuldades e de tudo e todos ao meu redor, pouco a pouco, familiaridade com este modo de ver a realidade foi surgindo, naturalmente, sem esforço, de forma cada vez mais intensa e frequente. Você olha para a situação e eventualmente reconhece a inseparatividade e a co-emergência nela, a ausência de solidez e realidade que imputamos nas coisas. Quando isso acontece, é como se nos libertassemos da prisão de uma bolha limitadora de nossa visão e dos subsequentes automatismos que surgem a partir deste referencial, e o agente que estourou a bolha foi o próprio Dharma, o Dharma que o mestre Buda ensinou a 2500 anos atrás e continua vivo até hoje, verificável experimentalmente. É como se o verdadeiro mestre estivesse se revelando através do estudo e reflexão do Dharma e da experiência direta de sua prática. Como se o dedo do método do Dharma que aponta a lua da verdadeira natureza de todas as coisas estivesse se transformando na própria visão da lua. Seu brilho passa a ser um farol que ilumina a escuridão de nossa mente na forma de uma brisa suave que nos libera da prisão das aflições da experiência cíclica. As três Jóias – Buda, Dharma e Sanga – e as três Raízes – Guru, Shvara e Dakini tornaram-se parte de minha vida, de meu dia-a-dia. Certeza e refúgio inabalável nestas 6 Jóias começaram a fazer parte de meu coração.

Estudar, praticar, experienciar e realizar por completo – isso é o caminho dos yôguis, monges e praticantes do Dharma.

Por outro lado, aqui na Índia, o lama raiz natural de praticamente todos, é S.S. Dalai Lama. Recebemos ensinamentos de Sua Santidade, em média, cinco vezes ao ano. Aos poucos, o ouvindo e refletindo sobre seus ensinamentos como também tentando aplicá-los na minha vida, passei a sentir S.S. Dalai Lama muito próximo, sendo um agente de meu desenvolvimento espiritual e acompanhando minha prática. Naturalmente, surgiu uma guru yoga, uma relação de confiança e troca espiritual muito grande com Sua Santidade. Creio que poderia dizer que o tenho como um de meus principais professores hoje. Desde que cheguei a Índia, S.S. Dalai Lama é aquele em quem tenho completa confiança e uma devoção natural.

Posteriomente, conheci S.S. Gyalwang Drukpa, o líder supremo da Linhagem Drukpa do Budismo Tibetano, do qual havia tido sonhos quando ainda vivia no Brasil. Em um retiro de um mês, em um bosque, no sul do Brasil, pedia a Chagdud Rinpoche que havia recém falecido que me indicasse o caminho que deveria seguir. No sonho, Chagdud Rinpoche me pegou pela mão desde de dentro do seu templo no Brasil, e saimos flutuando em meio ao céu enquanto ele partilhava coisas comigo em sua própria língua materna, o tibetano. Estranhamente, ainda que eu não falasse nenhuma língua além da língua portuguesa, no sonho, entendia o que Chagdud Rinpoche me dizia. Repentinamente, me vi presenciando uma grande massa de pessoas em frente a um antigo mosteiro nos himalaias. No sonho, vi um grande mestre que aquela grande massa esperava, ouvi o nome deste e de outros mestres, como também apareceram outros mosteiros e seus nomes. Anos mais tarde, fui a procura dos mestres e mosteiros deste sonho. Encontrei um tulku (reencarnação de um mestre tibetano), do qual ficamos imediatamente grandes amigos. Começamos a perceber que realmente havia algum link muito forte entre nós e fomos aprofundando nossas conversas e partilhas, cada vez mais frequentes. Um dia contei este sonho a ele e descrevi os locais, mosteiros, mestres e nomes que ouvi no sonho. Ele me mostrou uma foto sua, quando criança, no momento que havia sido entronizado como um tulku e me perguntou se aquele mosteiro da foto era algo familiar para mim. Ao ver a foto, meu coração foi tocado e os olhos encheram-se de lágrimas. Este mestre era um tulku da Linhagem Drukpa do Budismo Tibetano e me relatou que o mestre que vi no sonho e o nome que ouvi eram do mestre que o reconheceu como uma reencarnação de um falecido mestre desta linhagem. Disse que os dois mosteiros que havia visto no sonho eram o grande Mosteiro de Hemis, nos himalaias indianos, em Ladakh, fundado pelo grande yôgui Drukpa, Taktsang Repa Rinpoche, um dos nomes que ouvi em meu sonho e onde este próprio tulku havia sido reconhecido e entronizado. E, que o outro mosteiro era o grande mosteiro Sang Nga Choling, um dos primeiros mosteiros da Linhagem Drukpa construído no Tibete. Me sugeriu que eu fosse imediatamente ao encontro de S.S. Gyalwang Drukpa, pois os sinais eram muito fortes e evidentes de uma genuína conexão com esta linhagem de yôguis. Tentei durante vários anos encontrar S.S. Gyalwang Drukpa, escrevi a ele, fui aos locais que diziam ele estar, mas por algum motivo nunca conseguia encontrá-lo.

Após três anos de intenso treinamento monástico, estudos filosóficos e retiros retornei ao Brasil, no final de 2006. Lá, imediatamente o meu antigo mestre de meditação, o Lama Padma Samten, pediu que eu oferecesse algumas palestras do Dharma e compartilhasse um pouco de minha vivência e estudos na Índia. Muitos anos atrás, em um momento de dificuldade financeira e busca por trabalho, Lama Samten havia me dito que eu tinha qualidades e sementes para ser um professor do Dharma e que o aflorar destas sementes estava em minha mãos, na dependência de minha própria perseverança no caminho espiritual. Quando retornei como monge, naturalmente estas sementes foram nutridas pelo Lama Samten novamente. Ofereci algumas palestras e participei de retiros e vários eventos. Passei um mês no Brasil e retornei a índia novamente para continuar meu treinamento.

No final de 2008, após 5 anos de treinamento filosófico e diversos retiros em eremitérios nos himalaias, retornei novamente ao Brasil. Ao chegar, o Lama Padma Samten, após um profundo e silencioso encontro entre nós, me envia uma mensagem via celular me convidando a oferecer ensinamentos e conduzir retiros espirituais em seu centro do Dharma, dizendo que estaria colocando o trono espiritual dele para mim sentar no templo. Partilhei com ele que na Índia eu era somente um monge, como todos os outros, e que não havia qualquer necessidade para tal. Ele me disse que para a sanga do CEBB, a comunidade espiritual que ele liderava, eu tinha todas as qualidades necessárias para assumir esta posição e que reconhecia a capacidade que tinha para ensinar e orientar seus alunos no Dharma. Foi então que comecei a ensinar o Dharma mais formalmente, como um professor espiritual do Centro de Estudos Budistas Bodisatva, viajando pelos vários CEBBs do Brasil, oferecendo ensinamentos e conduzindo retiros espirituais.

Em 2009, o primeiro Concílio da Linhagem Drukpa em sua história de mais de 800 anos foi organizado por Sua Santidade Gyalwang Drukpa no Nepal, o líder supremo da linhagem. Lá eu estava, junto as dezenas de mestres e yôguis desta linhagem provindos de todas as partes do mundo – Tibete, Nepal, Butão, Índia, Europa, Americas, Austrália e outros países da Ásia. Ao me encontrar fisicamente com S.S. Gyalwang Drukpa pela primeira vez nesta vida, lhe disse: “Já fazem muitos anos que estou a sua procura”. Ele sorriu, e sussurrou: “Então, até que enfim, nos encontramos!”, com um grande sorriso em seu rosto e segurando minhas mãos com grande carinho. Desde então, ele se tornou meu mestre raíz e até hoje sigo meu treinamento com ele dentro da Linhagem Drukpa e da Linhagem Nyingma do Budismo Tibetano. Logo em seguida, S.S. Gyalwang Drukpa me ofereceu instruções e me enviou para um retiro de 6 meses em uma caverna sagrada de Guru Padmasambhava nos himailas indianos, seguindo o estilo de prática yôguica dos renunciantes da Linhagem Drukpa. Em 2010, após ao término do retiro, havia um email de S.S. Gyalwang Drukpa dizendo para mim que eu tinha desempenhado um bom retiro e que era para mim ir de encontro a ele imediatamente. Como ela sabia se eu tinha feito um bom retiro ou não?, me perguntei refletindo sobre o que o Guru estava querendo dizer. Ao encontrá-lo, S.S. me disse para me mudar da Índia para o Nepal, para estar mais perto dele e continuar desempenhando retiros neste estilo em cavernas sagradas como também dar continuidade a meus estudos em filosofia budista e língua tibetana na Universidade de Kahtmandu. Em 2011, S.S. me apontou como seu representante para o Brasil e diretor da sua Comunidade Budista Drukpa Brasil. Em 2012, após uma longa peregrinação a pé com S.S. Gyalwang Drukpa e seu herdeiro espiritual S.Ema. Gyalwa Dokhampa, me foi conferido por eles a ordenação como Lama Jigme Lhawang, sendo então enviado ao Brasil por alguns meses para oferecer ensinamentos e conduzir retiros. No início do ano de 2013, no dia do aniversário de S.S. Gyalwang Drukpa e do dia sagrado de Guru Padmasambhava, Sua Santidade e S.Ema. Gyalwa Dokhampa, herdeiro espiritual de Sua Santidade Gyalwang Dokhampa, me apontaram como o lama (guia espiritual) responsável em orientar e instruir sua comunidade de praticantes do Dharma nos países do continente americano.

As atividades aumentaram, a sanga começou a crescer, centros e grupos começaram a surgir. Muito em breve, S.Ema. Gyalwa Dokhampa pediu que eu concentrasse minha energia no Brasil devido ao crescimento das atividades e deixasse os outros países do continente americano para outros lamas que estaria enviando para tais centros. Em meio ao mundo, meu dia-a-dia espiritual começou a se misturar com as atividades normais de um cidadão brasileiro tendo que sobreviver financeiramente e cuidar de sua família. Da mesma forma que um peixe fora da água morre ou renasce com um novo corpo que se adapte a um novo ambiente e contexto psico-social, meu mestre S.S. Gyalwang Drukpa sugeriu que eu tomasse o caminho de um lama laico, um yôgui do mundo, deixasse a forma monástica e me adaptasse ao contexto onde me encontrava, o integrando em meu caminho espiritual, transmutando o mundano em sagrado.

Em 2015 comecei a cursar psicologia na Universidade de Ciências da Saúde e atuar como psicoterapeuta e master coach na área do equilíbrio emocional e da meditação junto as atividades como lama dentro de nossa comunidade budista no Brasil. A vida tem sido generosa em prover extraordinários e profundos ensinamentos, em demonstrar como flui, dinâmica, sem travas e destravas, tal como é, um fluxo contínuo que se revela a cada instante. Vou aprendendo a fluir junto, me ajustando a seu fluxo, me transformando dia-a-dia, vivendo mutações constantes que me fazem crescer como ser cidadão deste planeta e me desenvolver como humano. Busco nesta vida ser um bom ser humano e oferecer o meu melhor nesta rápida passagem por este planeta.

Pergunta: Como se deve falar com o mestre?

Resposta: Antes de falar, deve-se praticar. Acredito que se dermos muito espaço ao processo discursivo e conceitual antes mesmo de tentarmos praticar o que nos foi ensinado, poderemos passar a vida inteira desta forma, nos tornarmos grandes intelectuais, mas sem de fato qualquer experiência verdadeira do Dharma florescer em nosso coração. Se falar sem praticar vai tomar o tempo de seu professor. Também é importante começar a praticar o que lhe foi orientado, logo em seguida, se possível. Toda dúvida surge por causa de avídia, ignorância ou cegueira em sânscrito,  que só é removida pela prática. Entretanto, se ainda praticando não se dissolvam as dúvidas, ou talvez se multipliquem, o processo discursivo através do estudo, reflexão e meditação sobre ensinamentos budistas junto ao acompanhamento de um mestre autêntico será um agente de grande importância no desenvolvimento de nosso caminho espiritual, dentro deste contexto de remoção de obstáculos para que possamos avançar no caminho da experiência.

 

Pergunta: Que conselho você daria aos praticantes?

Resposta: Refletindo sobre minha própria vida, minha trajetória até agora, reconheço que não teria muito a dizer além das poucas coisas que venho aplicando e tem me ajudado a seguir em frente. Antes de encontrar o Dharma passava por experiências similares as experiências descritas na filosofia budista sobre os reinos inferiores: raiva, medo, ansiedade, avareza, obtusidade mental e preguiça. Na medida que fui ouvindo ensinamentos e refletindo sobre os mesmos comecei a perceber a preciosidade deste meu nascimento humano, das qualidades naturais que todos os seres tem e das qualidades extraordinarias que nós seres humanos possuimos, mas não usufruimos em todos seu potencial.

Também, das condições extremamente preciosas das quais me encontrava. Olhando para os outros e observando minha própria mente, vendo que nós não percebiamos ou tinhamos claro isso, me trouxe um pouco de amor e compaixão por eles e pela minha própria pessoa. Porém, em uma busca constante de coisas tanto materiais quanto estados espirituais que achava não estarem presentes. Talvez poderia dizer que estas seriam características de estar experienciando os reinos superiores, principalmente o dos humanos, de acordo com a psicologia budista. O processo de desenvolvimento e transformação interior através da prática do Dharma foi acontecendo muito lentamente, aos poucos, mais foi ocorrendo de fato, quando olho para trás. Uma certa aceleração na lentidão anterior do processo pode ter sido constatada depois de minha ordenação como monge. E isso tem suas causas, e sobre estas causas pude refletir brevemente e venho refletindo até hoje como uma forma de identificá-las corretamente, assim podendo intensificá-las com mais propriedade e direcionamento. Tais causas, não são frutos de qualquer ordenação, troca de ambiente ou identidade. Não é algo pertinente somente aos monges ou aos yôguis. O que acontece de fato, é o simples intensificar de nossa atenção, nosso foco nos chamados Três Treinamentos Superiores: O treinamento em Sila ou disciplina, o treinamento em samadhi ou realização meditativa e o treinamento em prajna ou discernimento. Todo o dharma do Buda pode vir a ser incluido dentro destes três treinamentos superiores.

Praticar virtude com atenção. A prática da virtude abre as portas do Dharma.
Se abster de ações negativas fecha as portas do que nos afasta do Dharma.

É preciso ter clareza do que se está buscando e saber como buscar e atingir nosso objetivo espiritual. Saber reconhecer onde estamos, o ponto de partida. Saber reconhecer onde queremos chegar, o ponto de chegada. Saber traçar o caminho correto de um ponto a outro e identificar as diversas encruzilhadas durante o trajeto, o conhecimento do método. Para isso o estudo, reflexão e meditação são de grande importância.

Ver a sangha como preciosa  e como fonte de suporte no caminho  é essencial e indispensável. Deve-se procurar ter admiração e respeito pelos irmãos da sangha. Sem estes o Dharma não sobreviveria, não se expanderia e beneficiaria uma grande quantidade de seres. Sem estes, não temos perto espelhos verdadeiros de nossa prática. Sem estes não temos muitas vezes o apoio e inspiração de que precisamos para continuar a caminhada. A sanga é o brilho do Dharma. As pegadas do Buda.

Também é preciso meditar todo dia pelo menos um pouco, o quanto for possível, mantendo a disciplina e perseverança.

Estudar e contemplar cultivando e desenvolvendo prajna – o discernimento e sabedoria.

Estas são as sementes que com base em uma motivação pura e compassiva vão frutificar em amor, presença e visão. Estes são os três treinamentos superiores de um praticante sincero do Dharma: disciplina, realização meditativa e discernimento, ou shila, samadhi e prajna, em sânscrito. Todos os 84 mil ensinamentos do Buda podem ser incluídos na visão dos três treinamentos. Quando vejo alguém praticando esses três pontos, regozijo, me alegro, pois já vejo a visão do Dharma surgindo. Percebo a tranformação já ocorrendo. A liberação já acontecendo.

Dedico qualquer virtude que possa vir a surgir a todos os seres. Mas, lembrando novamente de meu passado, dos tempos em que estava perdido buscando uma faísca de luz, recordo dos amigos de caminhada que tive. Dentre estes, dos antigos da época do lado “negro da força”, já muitos morreram no decorrer dos anos. Grande parte, devido as drogas, por acidente em veículo motorizado devido a estarem alcolizados, overdose, suicídio e por armas brancas em confrontos ou assaltos. Poucos, de muitos, conseguiram sair deste poço escuro, construir uma família, ter um bom trabalho, terminar a faculdade e sobreviver em meio a esta sociedade materialista e competitiva de hoje. Outros ainda estão tentando, depois de muitos anos, a se restabelecer em meio a sociedade. Lembro deles, e dedico toda e qualquer virtude gerada a eles, e aqueles que se encontram em uma situação parecida, ou que estejam neste momento plantando as sementes para este tipo de complicação futura. Sei, por experiência própria, da grande facilidade de entrar e treinar, habituar a mente a esta prisão, que tem como seu fruto, somente a confusão, insatisfação e sofrimento. E da grande dificuldade que existe para conseguirmos depois sair e se libertar dos próprios condicionamentos que criamos.

Rezo o oro a todos no mundo que estejam vivendo experiências de sofrimento e presos em seus próprios hábitos negativos para que possam encontrar paz e desenvolver e cultivar as causas que produzirão verdadeira felicidade e genuíno bem estar em suas vidas.

Possam todos encontrarem liberação e felicidade duradoura.

Paz, alegria e amor a todos.
Lama Jigme Lhawang

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