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A LINHAGEM


A História da Tradição Drukpa Vajrayana

Por S.Ema. Gyalwa Dokhampa

O caminho até a iluminação é tão numeroso que está além da nossa compreensão. Não é possível dizer que há um número específico de caminhos, pois Buda deu diferentes tipos de ensinamentos, adequados de acordo com a capacidade intelectual dos seres.

Conforme o Mahayoga Tantra, um ensinamento dado pela sabedoria consumada de Buda seria ouvido de forma diferente pelos milhões de seres de acordo com suas capacidades individuais.

De forma geral, existem três diferentes Yanas ou veículos no Budismo: o Shravakayana, Pratyekabuddha yana e o Mahayana. O Mahayana é ainda dividido em dois outros yanas: (1) O Veículo Causal das Paramitas – no qual a prática das Seis Paramitas é mais enfatizada e (2) o Veículo Fruicional do Mantra ou Vajrayana – no qual a união entre a grande bem-aventurança e a vaziez é o próprio caminho.

O Vajrayana tem quatro classes de Tantra:  Kriya Tantra, Tcharya Tantra, Yoga Tantra e Anutarayoga Tantra. Assim como todos os rios inevitavelmente desembocam no oceano, a essência do ensinamento de todos os Yanas é encontrada dentro da prática dos ensinamentos de Mahamudra. Sendo assim, Prajnaparamita, Madhyamaka, Ati-Yoga (Dzogchen) e Maha-mudra  etc. significam efetivamente a mesma coisa.

Portanto, no Mahamudra existem o Mahamudra Fundação, o Mahamudra Caminho e o Mahamudra Fruição. O Mahamudra Fundação é a natureza não dualística ou a união da aparência luminosa e da vaziez espaçosa de todos os fenômenos; o Mahamudra Caminho na linhagem Drukpa é a prática dos Seis Yogas de Naropa e a introdução aos diferentes estágios de meditação do Mahamudra; e o Mahamudra Fruição é a realização da natureza da mente e o alcance da iluminação.

De acordo com a história do Vajrayana, o Rei Indrabodhi de Odiyana, a oeste de Varanasi, uma vez avistou muitos Arahats voando pelos céus em direção leste e, curioso, perguntou ao seu ministro Dawa Zangpo quem eram aquelas pessoas. O ministro informou ao rei que eles eram discípulos do iluminado Sidhartha e que estavam indo até a cidade de Varanasi onde o Buda estava girando a roda do Dharma. Desde o momento em que o rei ouviu sobre o Buda ele desenvolveu espontaneamente extrema alegria e devoção e pensou que se os discípulos de Buda possuíam tais habilidade miraculosas, o Buda haveria de ter compaixão incomensurável e habilidades miraculosas também. Então ele imediatamente ajoelhou-se em direção leste e prostrou-se e orou ao Buda que viesse ao seu palácio para almoçar no dia seguinte. Buda escutou as preces do rei.

No dia seguinte ele e seus discípulos que obtiveram as habilidades mágicas voaram de Varanasi e foram até o palácio. O rei recebeu Buda com profundo respeito e pediu para que ele concedesse ensinamentos que pudessem libera-lo do Samsara. Ainda que Buda soubesse o que o Rei tinha em mente, ele aconselhou ao rei que abandonasse tudo, sua fortuna, seu reino, sua família etc. e que se tornasse um monge para que ele pudesse mostra-lo o caminho da iluminação. O rei respondeu “Ó, Buda onisciente! Nós estamos preenchidos dos cinco venenos e por causa dos cinco venenos, especialmente do desejo, não podemos renunciar aos prazeres sensoriais. Por favor me mostre um caminho no qual eu não precise abdicar dos cinco objetos sensoriais e ainda assim possa me liberar do Samsara!”

Sabendo que o rei possuía tremenda acumulação de méritos, grande compaixão e sabedoria, sendo assim o recipiente perfeito para o caminho Vajrayana, Buda Shakyamuni transformou sua forma Nirmanakaya na forma Sambhogakaya do Buda Akshobhya  e revelou a Mandala de Guhya-samaja e introduziu o Rei Indrabodhi ao caminho secreto do Vajrayana. O rei aprendeu a realizar a natureza búdica em todos os fenômenos e assim tornou-se capaz de visualizar a si próprio e seus quatro filhos como os cinco Dhyani Budas e as cinco rainhas como suas consortes e seus ministros como os Bodisatvas femininos e masculinos. Todos os seus corpos transformaram-se em arco íris e eles se iluminaram de imediato. Através de seus ensinamentos a cidade inteira também se iluminou e obteve o corpo de arco íris.  A terra ficou deserta e ali formou-se um grande lago onde viviam muitos Nagas.

Vajrapani, o Portador do Vajra, discípulo de Buda, também conhecido como Arhat Kashyapa, transcreveu todos os ensinamentos de Buda em Escrituras Douradas e deu ensinamentos aos Nagas do lago e até mesmo os Nagas praticaram o Vajrayana e tornaram-se iluminados. Mais tarde aquele local veio a ser conhecido como Orgyen Khandro Yul  (A Terra das Dakinis de Uddhyana).

Depois Vajrapani manifestou-se como Drang Song Ugjin e deu ensinamentos Vajrayana aos merecedores e muitos outros seres se iluminaram. Assim, a Linhagem que originou do Buda Shakyamuni foi passada em diante por Vajrapani, Saraha, Lohipa, Ding-gipa, Lodro Rinchen, Nagarjuna, Matamki, Dakini Sumati, Thanglopa, Shinglopa, Kanari, Dombipa, Binasa, Lawapa, Rei Indrabodhi II, (houveram três Indrabodhis na história do Vajrayana) passando para  Tilopa e Naropa, continuando até os dias de hoje. Essa Linhagem é conhecida como a Linhagem Distante ou Comum do Vajrayana.

A Linhagem Incomum ou Próxima do Vajrayana começa com o grande Mahasiddha Tilopa, que recebeu ensinamentos não só dos seus mestres humanos, mas diretamente do Buda Vajradhara na Terra Pura de Akanishta. Buda Vajradhara é conhecido como a forma Dharmakaya de Buda. O tantra do Vajrayana menciona que antes de Buda Shakyamuni manifestar sua iluminação neste mundo, ele já havia obtido a iluminação na Terra Pura de Akanishta na forma do Buda Vajradhara e então manifestou sua forma Nirmanakaya como Siddhartha e realizou os Doze Grandes Feitos de um Buddha. Então, da ótica Mahayana, Siddhartha foi o Bodisatva do décimo bhumi e da ótica Vajrayana, Buda Shakyamuni já estava iluminado quando ele nasceu como príncipe Siddhartha.

Então, a linhagem de ensinamentos que Tilopa recebeu do Buda Vajradhara e passou adiante para Naropa e que continuou a partir de Naropa é chamada de Linhagem Incomum ou Linhagem Próxima.

A terceira Linhagem no Vajrayana é conhecida como Linhagem da Visão Pura. Essa linhagem é baseada nos ensinamentos recebidos de Mestres de Linhagem em sua visão pura. Por exemplo, o primeiro Gyalwang Drukpa, Tsangpa Gyare, o fundador da Linhagem Drukpa, teve uma visão dos Sete Budas e recebeu instruções essenciais diretamente dos Sete Budas. Da mesma forma, o Segundo Gyalwang Drukpa, Kungpa Paljor teve uma visão do Guru Padmasambhava e recebeu os ensinamentos de Dzogchen diretamente de Guru Rinpoche. Essas são as chamadas Linhagens da Visão Pura.

Portanto, na Linhagem Drukpa, a visão é chamada Mahamudra (Tchag Guiá Tchen po, em tibetano), a natureza última da realidade e o método de familiarização com esta natureza ou ameditação é chamada de o caminho das Seis Yogas de Naropa (Naro Tchodruk, em tibetano) e a ação ou conduta dos praticantes da linhagem é chamada de a prática dos Seis Ciclos de Equalização do Sabor (Ronyom Khordruk, em tibetano) e a fruição é chamada de as Sete Excelentes Interdependencias (Tendrel Rabdun, em tibetano). A mais profunda prática e ensinamento da Linhagem Drukpa e o portal de todas as realizações é a chamada prática de Guru Yoga ou a prática de compreender todos os fenômenos como seu Guru ou compreensão de que o Guru é inseparável da natureza de sua própria mente.